sobre Sapiens: Uma breve história da humanidade

Demorei a escrever essa resenha porque ainda estava absorvendo Sapiens: Uma breve história da humanidade, de Yuval Harari. Depois de um longo caminho explicando e desexplicando a história da humanidade, o autor termina o livro com uma singularidade interessante (e aqui permito fazer um trocadilho com um assunto abordado na obra): a busca pela felicidade.

                            "O Homo sapiens evoluiu para achar que as pessoas se dividiam entre 'nós' e 
                            'eles'. 'Nós' era o grupo imediatamente à sua volta, independentemente quem
                            você fosse, e 'eles' eram todos os outros. Na verdade, nenhum animal social 
                            jamais é guiado pelos interesses de toda espécie à qual pertence." (p. 179)

Da sociabilidade, surgiu a dicotomia que permitiu ao homem dividir o mundo em dois: amigo e inimigo, bom e mau, certo e errado. Permitiu criar laços, estabelecer coooperações, alavancar guerras. Possibilitou o surgimento e atrelamento de normas e valores humanos com crença sobre-humanas, ou seja, as religiões. Permitiu o surgimento de instituições e culturas completamente heterogêneas.

                            "As plantas domesticaram o Homo sapiens, e não o contrário." (p. 90)

Através de um storytelling bem escrito, Harari mescla a história permitindo que o sapiens de hoje, no mundo globalizado, possa compreender minimamente o que se passava na cabeça de seus ancestrais há milhões de anos atrás. Através de uma análise estrutural e cuidadosa, desconstroi fantasias criadas para nossa história ser uma superação didática e constroi, de maneira graciosa, o resgate da realidade da humanidade, com todas suas conquistas e decadências.


O livro tem algo que eu amo e que eu uso em minha vida constantemente - principalmente por estar inserida em um ambiente acadêmico: conexões, ligações e porquês numa linguagem de fácil compreensão. Ele responde a inúmeras indagações conectando histórias, acontecimentos e comportamentos. Explica o motivo que deixamos de ser caçadores-coletores e de que forma isso está conectado com a ascenção do capitalismo; mostra, de maneira surpreendente, como o imperialismo e a ciência evoluíram juntos, coisa que aprendemos separadamente na escola sem nunca perceber como são peças do mesmo quebra-cabeças.

Sapiens começa falando sobre a Revolução Cognitiva, o surgimento da ideia de existência e pertencimento e finaliza com uma explicação filosófica e científica sobre felicidade - o que permite compreender toda a evolução da nossa espécie, as buscas, os quereres, os desejos. Através de ciclos, o livro permite entender a busca pela felicidade, mesmo que a vejamos de maneiras diferentes conforme nosso olhar e experiência de mundo; possibilita que o leitor possa se surpreender, se chocar e se inspirar a querer ser um sapiens melhor no presente.