sobre a vida a dois: aprendizados, desafios e amor

A vida a dois é descobertas. E eu tenho aprendido com isso. Aprendido a ter paciência e compreensão com o tempo dele, com a individualidade - e aprendido a me entender em relação a isso. É descobrir que não existe sempre uma forma certa de fazer as coisas, mas formas diferentes pra se chegar no mesmo resultado. É (re)descobrir o amor.

A vida a dois é curiosa. Esses dias a gente deu crise de riso porque uma azeitona pulou da panela na hora que eu servia o almoço. Enquanto eu tentava pegar, mais ía empurrando a azeitona e mais ela sujava o fogão - que eu tinha limpado antes. Aquilo fez a gente rir simplesmente por ser uma cena ridícula - o que pode ter sido intensificada por estarmos em quarentena e em casa (inclusive, se puder, #FicaEmCasa).

A vida a dois é sintonia. A cada dia, a cada hora, a cada olhar, a compreensão do outro aumenta. A gente passa a ouvir e ler a alma e não apenas o corpo. É perceber o outro na voz, nos gestos e nas palavras. É saber se comunicar além do "normal".

A vida a dois é desafios. É saber entender como funciona o dinheiro numa casa; é entender e respeitar o gosto pessoal de cada um; é fazer da vida um jogo gostoso de jogar - mesmo com vários obsetáculos durante o processo. 

A vida a dois é olhar o mesmo rosto todo dia e procurar por algo novo: um olhar diferente, um riso, um cabelo branco, uma expressão. É reconhecer as mudanças diárias e se apaixonar por elas. É se apaixonar todo dia pela mesma pessoa. 

A vida a dois é intensa - mas é uma intensidade rotineira que precisa ser revista, reavaliada, reinventada. É muito fácil se acomodar na falta de beijos, normalizar o que precisa ser constantemente relembrado. Aqui resolvemos fazer um jogo: toda vez que o vizinho liga o xbox (faz um barulhinho bem específico), a gente tem que parar o que tá fazendo pra se beijar - de língua. 

A vida a dois é suporte. É estar junto - pra muito além de dia dos namorados, aniversários, festas - é estar ao lado, é saber a hora de dar a mão e guiar e a hora de ser guiada. É acreditar juntos nos sonhos individuais. É batalhar por uma batalha que não é sua, mas que vai tirar um sorriso de realização de quem você ama. É estar feliz por uma conquista que é só do outro.

A vida a dois é respeito. É respeitar as diferenças e focar sempre, o tempo todo nas semelhanças. É agradecer, é reconhecer, é apoiar. É saber que vocês não se completam e não se tornam uma pessoa só, mas que são dois seres com repertórios diferentes que se complementam, se repelem, se estranham, se juntam lado a lado numa dança que muda constantemente de ritmo. 

A vida a dois é ver graça nas coisas mais simples e dissertar sobre. "Nossa, você viu o que o gato fez?" "Vi não, o quê???" "Derrubou o batom e deitou no meu colo" "hahahahahhaha mentira!". É fazer a graça ser contagiante, rir juntos, sentir juntos.

A vida a dois é crescimento. É crescer na curiosidade diária, nas (re)descobertas constantes,  na sintonia da vida, nos desafios superados, ao enxergar o outro, na intensidade da rotina, na construção de pilares, no respeito da diferenças, na alegria de estarem juntos.