a cadeira

Sabe aquela semana bosta? Aquela fase bosta? Mas que a gente precisa passar pra saber (teoricamente) dar valor à bonança?

2018 começou atípico, descontrolado, sem foco. Não gosto disso. Gosto de saber o que fazer e quando não sei (ou não tenho) me perco toda. Desde o início do ano tenho estado num lugarzinho que conheço bem, o Carol's hole. Acordava e saía dele todo santo dia, custando, mas saía. Fazia o que tinha que fazer e, de noite, voltava pro Carol's hole. Início de ano vem aquele fôlego junto, né? Foi legal, deu pra dar uma animada, só que os dias foram passando e eu não via na estrada alguma sinalização de que eu estava indo pra algum lugar. Era como se cada dia eu pegasse uma carona diferente sem saber pra onde eu estava indo e, cara, isso estava fazendo ser cada dia mais difícil sair do Carol's hole.

Os dias foram passando, os meses, o Carnaval passou (opa! Agora começa o ano!), meu aniversário passou (opa! Agora começa o meu ano!) e nada. O Carol's hole foi ficando cada vez mais reconfortante à medida que até a estrada ia desaparecendo. E quanto mais coisas aconteciam no percurso, menos vontade eu tinha de sair de lá e maior era a dificuldade de sair. Era sair um dia sem sombrinha e chover;  era bater o dedinho na quina da cama; era a lombar doer ferozmente ao sentar na cadeira (já velha) pra trabalhar; era decidir comprar uma nova cadeira na internet e, de repente, o frete grátis passar pra 100 reais; era ter uma discussão com a sua mãe; era não ter perspectiva; era se ver num limbo; era se sentir excluída; era o chuveiro queimar. Notei que eu estava cada dia mais segura no Carol's hole e que sair de lá tava ficando perigoso.

Após o episódio da cadeira, decidi sair um pouquinho do meu lugarzinho seguro e ir numa loja ver se eu achava alguma cadeira (porque eu precisava muito produzir e estava impossível sendo que o Carol's hole era muito mais confortável que a cadeira velha!). Para minha enorme surpresa EU ACHEI UMA CADEIRA QUE IA COMPRAR POR 250 NA INTERNET POR 160 NA LOJA! Vibrei. Vibrei como se minha vida dependesse desse achado - e, de certa forma, dependia. Vibrei porque alguma coisa boa e legal aconteceu fora do Carol's hole. Vibrei que poderia ser um começo pra recomeçar. Comprei a cadeira e, ao montar, percebi que veio com defeito de fábrica. Adivinhem? Carol's hole de repente ficou convidativo de novo. 

Era uma ilusão, uma cilada, Bino! Chorei. Chorei como se minha vida dependesse daquela cadeira. No outro dia fui lá trocar - mas não pense que estava tudo ok. Amanheci com o olho direito inchado (e tá até agora, pra falar a verdade), mas já aceitando a maré de coisas estranhas/ruins/avessas que eu me encontrava. Troquei a cadeira e vim pra casa. Não consegui montá-la sozinha e tive que esperar no Carol's hole enquanto não vinha ajuda.

A ajuda veio paciente e a cadeira foi sendo montada. Sem defeitos, mas com dificuldade. O mundo fora do Carol's hole começou a ficar convidativo.