o tênis

Engraçado como a gente vai ficando cagona com os anos né? O que não era pra acontecer, já que com o passar do tempo a gente adquire experiências que deveriam nos impulsionar a arriscar, a ousar, a viver. Com o passar dos anos, a gente aprende cada vez mais o quanto a vida passa rápido, os momentos, as vivências. Então, teoricamente, a gente deveria viver intensamente tendo essa consciência, né? Só que não é assim. Tenho percebido isso cada vez mais, mas essa semana um episódio se superou. 

Tava fuçando um e-commerce e vi esse tênis: trevoso, de veludo vermelho, solado preto. 

Foi amor na hora. Decidi comprar ele (e aposentar um outro velhinho de guerra meu) e na hora de efetuar a compra "resolvi" dar mais uma analisada em outras cores pra "saber se estava fazendo a compra certa". Resultado: desisti do vermelho e resolvi comprar DOIS tênis:



E mandei pra todo mundo. Queria opinião de todo mundo. E acabou que me decidi por esses dois.

Mas, pera. Eu queria comprar o vermelho de veludo. Desde o início. Inclusive, só tava comprando um tênis porque fiquei apaixonada por ele. Já imaginei várias combinações. Achei diferentão, do JEITO que eu gosto e sou. Achei trevoso. Achei chamativo. Achei TÃO minha cara. 

Foi então que percebi na simples compra de um tênis como a gente dá tanta importância pra opinião alheia ao invés da nossa. O quanto a gente precisa de aprovações na vida pra algo que deve satisfazer apenas VOCÊ. Às vezes por medo de não agradar, medo do diferente, do desconhecido - afinal, o desconhecido sempre causa estranheza. O quanto que as coisas podem estar na nossa frente que ainda precisamos de opções deixando tudo mais confuso. 

Lembrei, então, daquela menina novinha, que ia com roupas e calçados diferentões pra aula, que não se importava sobre o que as pessoas iriam achar da forma que se vestia e agia e que queria apenas externalizar o que ela era por dentro. E isso a fazia feliz. Era sua marca registrada, sua essência. Às vezes penso, ao perceber essas sutilezas cotidianas, que aquela menina sabia muito mais o que queria da vida do que essa menina que tá aqui. E aí notei, mais uma vez, como a gente vai se perdendo do que é ao longo do tempo. 

Caí na real e comprei o vermelho de veludo trevosão.
Beijas.