a blusa

Era uma vez eu caçando roupas bonitas num outlet. Aí achei uma brusinha blusa LIN-DA. Comprei e pensei: "nossa essa blusa é tão linda que as pessoas vão falar 'nossa que bllusa linda' e eu vou responder 'é, essa blusa é linda'". E deixei ela lá esperando uma boa oportunidade de ser usada.
 E aí na hora de montar um look tombador ela sempre estava lá nas opções.
Mas acabava escolhendo outra blusa. Nunca tinha calça/saia que combinava com ela (tinha planos futuros de comprar); o tempo não contribuía pra usar; não tinha um sutiã descente (ela tinha um leve decote nas costas). As outras opções sempre eram as melhores. Sempre. Mas ela era tão linda que eu sabia que ia acabar usando um dia.
Só que, dia desses - e anos depois - acabei percebendo o que eu tava fazendo com a pobre blusa. Toda vez que eu ia arrumar minhas roupas e separar algumas pra doação, eu deixava essa de canto porque ela era TÃO LINDA. E aí fiz a mesma coisa esses dias ("ah! Vou procurar uma calça bonitona pra usar com essa blusa") e depois reparei que essa era uma desculpa que eu já havia dado. Se desde que comprei essa blusa eu não achei (ou sequer procurei!) uma calça bonitona pra usar com ela, porque eu procuraria agora? Eu simplesmente não vou usá-la e chegou a hora de aceitar isso, de seguir em frente. Não que ela não seja bonitona, não fique bem no corpo, mas ela definitivamente nunca vai servir pra eu montar um look. E ai resolvi desapegar.
E aí fui pensar no quanto a gente é apegado nessa vida. E o engraçado é que a gente se apega ao que nem sempre nos faz bem, que não nos engrandece e que não tem nenhuma importância. E por quê? Pelo simples fato da tal zona de conforto: não tá bom, mas também não tá ruim, então deixa assim. E com esse pensamento a gente vai continuando naquele trabalho bosta, mas que "podia ser pior, então tá ok", vai continuando naquele relacionamento sem sal, "mas tá ok", vai continuando naquela vida parada, "mas tô conseguindo pagar minhas contas, então tá ok". Gente, vem cá, vamo conversar aqui: A VIDA PASSA. E a gente tem que se movimentar pra seguir em frente e não se acomodar. 

Arrisque! Mesmo que o resultado seja diferente do que você imaginava, mesmo que você tenha medo. Nada nesse mundo dá certo se não arriscar. Ninguém conseguiu realizar sonhos, grandes feitos, sem se arriscar. Para de inventar desculpas; para de achar que as coisas podem mudar um dia sem fazer nada pra isso; para de achar que comprando uma calça bonitona vai fazer você querer usar aquela blusa que nunca usa. 

Lembra, coleguinha, que quando a gente abre espaço - seja no guarda-roupa ou seja na vida - o novo sempre vem. 

Beijas.