2016

Algumas coisas na vida, a idade ajuda a melhorar. Mas engraçado como outras te estragam. Conversando com amigas pensamos nisso. Em como a volatilidade de quando éramos mais novas era bom. Como seguir em frente após o fim de um relacionamento era infinitamente mais fácil. Talvez por que no fundo sabíamos que tinha um mundo inteiro de experiências pela frente, coisas e pessoas para descobrir. E essa segurança nos fazia desapegar de sentimentos, de pessoas, de situações.

Hoje, anos e anos depois, após de ter vivido muita coisa, depois de ter experimentado outras muitas, é mais difícil desapegar. E isso é TÃO errado. De repente, num surto, você acha que já viveu tudo, que só aquele cara te entende e os anos de relacionamento não te deixam seguir em frente, acredita cegamente que já passou da hora de ter estabilidade financeira, vê as amigas casando (algumas com príncipes e outras não...), olha pro lado e aquele namoradinho do colégio já tá com a vida feita e com filho, olha pro outro lado e aquela amiga que formou com você na escola é concursada e ganha super bem. A família põe pressão, sua mãe briga que sua prima mais nova já tá trabalhando de carteira assinada, uma conhecida fala que já tá na hora de casar e ter filho porque-se-demorar-muito-a-criança-pode-nascer-com-problema, você se pressiona por que nada do que planejou foi pra frente e se acha uma bosta. E a vida? A vida vai passando, sem trégua, sem freio, não para.

Teoricamente era esse o momento em que você devia MESMO se movimentar, não sofrer e não viver de passado, olhar pro futuro, segurar numa mão a fé, na outra a coragem, passar um rímel e seguir. Continuar. Ir em frente.
Mas quem dera fosse simples assim, né? Esse trabalho interno exige um equilíbrio emocional imenso e que muitas vezes demoramos para adquiri-lo. Exige coragem para assumir responsabilidades de atitudes que precisamos ter diante de certas situações; exige fôlego para começar do zero quantas vezes forem necessárias; exige esforço psicológico pra entender que a idade tá na nossa cabeça e só nela; exige sabedoria pra aceitar que dar murro em ponta de faca... machuca; exige aceitação pra compreender seus limites e que a gente pode se  reinventar quantas vezes forem necessárias. Aquela lista de coisas a serem feitas pode ser reescrita inúmeras vezes, sabe por quê? Porque ninguém é mais dono da sua vida que você. E você que manda nela, que a conduz - algumas vezes de forma bem porca, confessemos, mas você é seu próprio guia. Não tô falando aqui pra você se rebelar na vida, só não se cobrar porque as pessoas te cobram, pois cada um tem seu tempo, sua personalidade, seus problemas, suas alegrias e seu jeito.

Então, cata aí um papel, cata aí uma caneta e escreve no topo da página: O que eu quero?
Pense, reflita, não liga pra opinião de ninguém além da sua. Pensa o que faz você feliz. Faça três colunas na folha: no meio escreva o que você quer; do lado esquerdo escreva o que te impede de chegar até ali; do lado direito - porque é direito! - escreva o que você pode fazer pra chegar até ali. 

Não deu certo? Mudou de ideia? Faça outra lista. Não desista de ser você, não desista de ser feliz. 

O foco muda, a vida muda, a gente muda. Não desista, não se arrependa, não tenha medo do que te faz sorrir.

PS: Texto também disponível em: 30 is Coming