Aquele Belo Horizonte

Anos atrás, uma prima que mora há tempos na Espanha veio visitar a família aqui em BH. Aconteceu uma reuniãozinha na casa da minha bisavó e quando pegamos carona pra ir embora, minha prima nos acompanhou, pois queria ver minha mãe-vó. Lembro de estar ao lado dela no banco de trás do carro. Ela não conversava. Estava com um sorriso de lado, o olhar brilhando, o dedo indicador no lábio inferior, tentando, penso eu, não perder nenhum detalhe. Detalhes estes que ela já conhecia, mas há muito tempo não via. Fiquei com aquela imagem na cabeça e aquela situação. Hoje entendo o que ela passou e pensou ali. 

Desde que me mudei, é a terceira vez que fui em BH. A primeira vez foi péssima e não compensa falar, abstraí. A segunda vez, foi dia das mães. Fiz uma surpresa pra minha e fui. Aquele sorriso em seu rosto fez ir embora qualquer sentimento ruim, qualquer tristeza, qualquer chateação. Apesar de alguns pesares, foi uma boa estadia e guardei no coração momentos que tive aqui. Agora, nessa terceira, não sabia como seria. Mas o sentimento que me inundou enquanto escrevia aqui e olhava pela janela do bus uma BH ensolarada - com bares e salões de beleza em cada esquina - e que me traz tantas memórias boas, é um sentimento bom. Sentimento de não querer perder de vista nenhum detalhezinho quando o sinal tá vermelho. É a cidade que me preenche, que me leva há épocas especiais e me acolhe,  como minha mãe ao me ver.


Me conforta chegar em BH, olhar o horizonte e ver a Serra rodeando a cidade. Me conforta ver os vendedores, ver as lojas, ver essa cidade grande com cara de roça. Chegar no bairro que cresci e ver rostos antigos, conhecidos e sorrindo pra mim com um cumprimento. Chegar na casa da minha mãe e ter aquele abraço, aquele afago, aquele amor único e  ver que não importa a distância, gritar "mãe " tem um gosto especial. Me conforta o sorriso dos amigos ao me ver, o abraço apertado de familiares e meu afilhado correndo pros meus braços.

Deitada, com a TV na novela,  com o cheiro da comida da minha mãe, na casa que morei desde que saí do hospital, no bairro que tanto amo e na cidade que tanto venero, traz um sentimento inigualável e intenso, enquanto escrevo uma parte desse texto. 

De volta à realidade, termino aqui meus dias de descanso e de intensidade. Recarregada de amor materno, do amor de amigos e até de quem nunca vi, mas que compartilha comigo das vistas lindas que BH pode proporcionar. Recarregada de gargalhadas, de histórias pra contar, de abraços, de serras, de horizontes e de saudades.

Fica aí, lindo horizonte. Já já eu volto.