Fui Morar Sozinha: A partida e a chegada

A dor da partida é estranha. Coisas que você poderia ter feito, palavras que poderia ter falado, lugares que poderia ter ido, rancores desnecessários,   SAUDADES de tudo e todos e um medo horroroso. Medo de falhar, medo do novo e inesperado,  medo de ficar sozinha e de perder algo - e alguém - que esteja ficando. É estranho chegar num lugar que você não está acostumada. Tudo passa pela sua cabeça: quê que eu fui fazer? Porque, Deus? Quero minha mãe. E agora, José? Ia ser melhor ir ver o filme do Pelé.

Cheguei numa sexta-feira à noite e no caminho descobri que o apartamento precisava de reparos -  que seriam feitos na próxima semana e eu ja estaria habitando o local - e sem faxina. Fiquei um pouco desconfortável, mas ok. Como chegaria de noite,  pedi o celular de alguém da imobiliária pra caso algo acontecesse, pois me disseram que a chave estaria na portaria. Mas não, a chave não estava lá. O pedreiro não havia deixado, o porteiro informou que não poderia fazer mudança no período noturno e eu estava morta de cansada. Depois de um tempinho - irritante - consegui resolver a treta.
Passado todo o estresse, subimos apenas com os colchões infláveis e coisas para tomar um banho.  No outro dia nos preocuparíamos com o restante.

No sábado, logo cedo, corremos atrás de algumas coisas para começar a "home-sweet-homear" o apartamento e dar uma cara mais habitável. Compras, mantimentos, material de limpeza, uma coisinha ou outra de decoração e fui me animando mais. Confesso que até o momento em que comecei a colocar as coisas no lugar, não havia me encontrado aqui. Quando o apê foi tomando forma, coisas sendo colocadas onde deveriam estar (fiz uma planta online que vou mostrar em outro post), me animei um pouco. Consegui me visualizar aqui. Me ver parte do local, sabe?

Depois da faxina e de uma cervejinha, o sono bateu forte. O cansaço, físico e emocional, de uma mudança é gigante. Não consegui dormir direito, pensei muito na minha mãevó, pensei em como lidar com tudo isso, pensei no financeiro, pensei na vida e, claro, não dormi nada.

No domingo foi dia de mais uma despedida (do bofe e do amigo que me ajudaram na mudança ) e uma coisa era certa: a dor das pessoas indo é pior do que a que você sente quando sai de casa.  Depois do almoço ficamos eu e Brigitte no apartamento. Chorei, ri, cantei e escrevi esse pequeno diário. Sei que vai melhorar, era uma vontade - sonho - que sempre tive e estou tendo a oportunidade de realizar. Mas não é fácil como imaginei,  remotamente,  que poderia ser.  É complicado aceitar mudanças que só você é responsável por fazer. São coisas que apenas você e só você deverá passar, superar e experimentar. É a vida seguindo seu curso e o universo conspirando para o que você sempre desejou.

Beijas!
{PS: Tô sem internet no computador. São 15 dias úteis até a instalação.  Post feito por celular. }