Eu sensual

Vai ser sexta agora, o Luizatrix! Pra quem não sabe, a turma de formandos em Comunicação Social da UFMG organiza, todos os semestres, uma festa a fantasia sexual. O nome é sempre uma referência a alguma das colegas da turma - e, em 2008 (talvez 9), quando fui pela primeira vez, a festa chamou Inferninho da Laurinha. Agora, o Luizatrix é uma piada com alguma Luiza que aparece desenhada com roupas de dominatrix no material de divulgação.
O ponto importante é a fantasia. Pro Inferninho da Laurinha, consegui uma jardineira, combinei com uma regata, um capacete e uma pá e fui o adolescente pedreiro mais sensual que minha carinha de criança permitiu. Saí de casa confiante, ia brilhar na festa... e brilhei mesmo. Eu e os outros 6 ou 7 pedreiros. Alguns com roupas até mais elaboradas que a minha - mas só eu tinha uma pá!, que se tornou um martírio depois da primeira meia hora em pé. Era de plástico, mas era uma pá. Não há nada que se possa fazer com uma pá num evento...
Na minha turma de amigos, tinha uma colegial, duas empregadas e uma noiva que eu achei que fecharia a festa. De cinta-liga branca, um tutu que só cobria o essencial e véu, toda de branco, uma superprodução (e muita coragem, acrescente-se) que tinha tudo pra dar certo - e é claro que deu, porque ela estava linda -, mas havia outras três noivas por lá. Nenhuma tão pelada, mas QUATRO NOIVAS numa festa a fantasia sexual é demais até pra minha cabeça pessimista!
Pra homens, já é mais difícil mesmo. Eram todos médicos, pedreiros, policiais e bobões de sunga/roupão/boia! Mas, para mulheres, as opções parecem ser muito maiores e, ainda assim, as repetições foram muitas. Homens são bem mais criativos (ou menos lúdicos no que diz respeito ao desejo) nesse quesito e isso facilita muito pras mulheres que querem surpreender. Pros homens, sobra pouco mais que as fórmulas prontas: os proletários (bombeiro hidráulico, soldado, mecânico...). E todo mundo se rende aos clichês.
Se eu tivesse 20 kg menos, colocaria as pernocas de fora num lindo vestido de Conchita Wurst, só pra repetir a maquiagem do carnaval, investir num look mais sensual e ter certeza da exclusividade. Não sendo essa a minha realidade, estou há dias tentando pensar em algo que considere a minha idade, o meu (sobre) peso e as minhas atuais condições financeiras (porque festa a fantasia no penúltimo dia do mês, ainda que imperdível, limita de alguma forma as ideias). E, embora eu não acredite em padrões de beleza, confesso que está muitíssimo difícil ser criativo dessa vez. Principalmente porque não existe nada pior que precisar explicar a sua fantasia. Você passa horas pensando, horas montando... e uma festa inteira explicando - e eu tenho certeza de que, se me vestir das coisas que eu realmente acho sensuais, as chances de ter que explicar são imensas, mas eu falo sobre isso outro dia.
O que vem me consumindo é essa reflexão sobre o que eu acho sensual. Não só o que fica sensual em mim, mas o que é sensual para mim. E essa reflexão fica muito mais legal se você decide fugir de vez dos clichês.
Quem quiser saber mais sobre a festa, pode clicar aqui - e pode ir também, porque vale a pena, eu juro.
Quem não quiser saber pode ficar só com esse exercício de reflexão - e comentar sugestões, porque não custa!!!