Os carros que eu tive

Eu quero ter um carro. Sério. Um fusquinha, pra ser mais precisa. Daqueles arrumadinhos, com o painel bicolor e que todo mundo para pra olhar quando passa. Amo fusquinhas desde pequetita. 


Na realidade, gosto bastante de carros antigos. Lembro que um dos meus tios tinha um Opala Comodoro cor de creme que eu, nos meus 6, 7 anos, era LOUCA com o carro e aquele vidro de trás que quando abaixado junto com o da frente ficava um buracão e eu me sentia A diva com a ventania que fazia no banco de trás. 

Outro tio meu, mecânico, tinha uma (pausa de 12 minutos pra lembrar o nome do carro) Rural ROSA! Juro que era rosa e rosa chiclete. Eu era apaixonadíssima com esse carro (oi, perua!; oi, MSA; oi, Penélope!; oi, Corrida Maluca!) e implorei pra ele esperar eu fazer 18 anos pra me vender. Infelizmente ele não esperou, mas de qualquer forma não ia ter grana pra comprar mesmo. Esse mesmo tio tem mania de parar alguns carros na porta de casa (visto que moro do lado da oficina mecânica dele) e um desses carros era uma Veraneio verde clara. Essa Veraneio fez história. Lembro-me de quando pequena, no Halloween, eu e uma turminha da rua nos juntávamos e fazíamos uma festa num quarto do lado de fora que tem aqui em casa (carinhosamente e cacoantibesamente chamado de puxadinho), que, aliás, é de onde escrevo agora, vestidos à caráter e ouvindo o LP Thriller do MJ. Mais tarde pegávamos o gravador de brinquedo (Rec Repete) de uma das meninas e gravávamos vozes e sons "assustadores" e esperávamos abaixadinhos alguém passar enquanto aguardávamos olhando pela fresta do portão. Jamais me esquecerei dos pulos e e olhos arregalados vistos naquele dia. Minutos depois resolvemos usar a Veraneio na brincadeira e entramos dentro ficando lá, em silêncio e com risadas abafadas pelas mãos fazendo sons que, sendo a noite e a rua vazia, davam até um medinho.

Outro carro que me marcou, foi um Chevettinho bege que o marido da minha tia tinha. Todo bonitinho e cheirosinho por dentro. Fui fechar o vidro de trás, daqueles que abrem só a lateral, e o vidro desmanchou em cima de mim. Espatifou todo e eu me borrando de medo de ter feito alguma cagada. Até hoje não sei, na verdade, como consegui aquilo. Sempre fui tão cuidadosa e delicada....

E minha última lembrança, mas não a menos importante, é do Monza Vermelho desse mesmo marido da minha tia. Achava um carro de poder, achava bonito, achava sensual, achava geométrico, diferente. Sei lá, eu gostava. E tinha que ser o vermelho, porque as outras cores não "causavam" tanto não. Até hoje meu coração bate mais forte quando vejo um Monza Vermelho.

O bacana dessa época é que havia uma hierarquia (a minha hierarquia) de carros. TODO MUNDO começava com o Fusca. Logo depois, passava pro Chevette/ Opala. E o Monza (ah, Monza!), era o último estágio. Era zerar a vida. Era não ter mais nível no video-game pra passar. 
Era assim que eu pensava, passeando no Opala do meu tio, com o queixo encostado nos braços cruzados na janela e sentindo aquele vento no rosto...